Relato/ Tarcisio/ Mountain Do


O Objetivo
Após ter cumprido o objetivo em baixar o tempo na Maratona de Chicago, fiquei questionando qual seria o próximo. Foi quando recebi um convite do Enéas de participar de uma prova de revezamento em Floripa. A única informação que tinha desta corrida era que tinha um percurso de 70 km e um grau de dificuldade alto. Mesmo assim resolvemos fazer a inscrição da dupla.

Os treinos
Começamos a treinar em percursos de subidas, mas ainda sem uma planilha definida porque o meu companheiro ficou machucado aguardando a liberação. A surpresa para todos nós foi quando as recomendações médicas sugeriram para ele não participar da corrida. Desta forma ficamos indecisos se seguiríamos em frente ou não. Porém a hospedagem e as passagens já tinham sido reservadas. Foi quando apareceu o “plano B” e uma nova companheira à altura da prova. Mulher determinada e guerreira, Simone teve pouco tempo para se preparar.

O Percurso
A prova era dividida em oito etapas com distância variando de acordo com a altimetria e o terreno. Cada etapa tinha o seu grau de dificuldade, pois além de correr no asfalto, tinha trilhas, morros, muita areia e praia.

A prova
No dia da prova a temperatura estava boa e não chovia, mas na véspera da largada tiveram que alterar o percurso porque um temporal atingiu o oceano e a maré subiu o suficiente para não permitir a corrida na praia.

O primeiro percurso foi bom, apesar de ser 160m acima do nível do mar e ter muita areia, as trilhas eram largas e dava para trotar.

O terceiro e quarto foram sobre dunas, bosques, trilhas e estradas de chão. Os seus 16,6 km rendeu um grande calo de sangue devido ter corrido também sobre água e areia por causa da maré.

O percurso 6 foi o mais poderoso. Denominado de “São Francisco”, onde a subida era bastante íngreme e a descida muito acentuada foi o pior deles. As trilhas eram estreitas, bastante pedra a ponto de não podermos correr. Somente caminhávamos. Em alguns trechos chegamos a pular sobre as pedras de quase um metro e meio de altura, pois era o único caminho. Somente trotamos no cume da montanha. A vista era belíssima. De um lado o oceano, do outro a lagoa no meio da ilha.

Finalmente chegou o último percurso, 11 km. Troquei o terceiro par de tênis e passamos a fazer a estratégia desta etapa. Este percurso era dividido em estrada rural, praia, trilha e asfalto. Então pensei: vou dar tudo na estrada rural, trotar na praia e trilha e no asfalto o sprint final. Assim, fiz os 6 km da estrada rural no ritmo bom, trotei na praia e para minha surpresa ao invés de dobrar a esquerda refazendo o caminho de volta do percurso 3, me deparei com o último desafio o “morro das aranhas”. Nem passava pela minha cabeça ter que subir novamente um morro. Já cheguei exausto no sopé do maldito morro. Além de ter de subir em pedras enormes, as trilhas eram bastante estreitas e com uma inclinação que era necessário utilizar as mãos para poder ir em frente. As pernas já não obedeciam ao comando. Levei um tombo, mas passei por ele sem ter visto nenhuma aranha. Cheguei ao asfalto. Mais uma subida. Corri uns dez metros e as pernas novamente paralisaram. Tive que andar. Foi quando avistei minha companheira de equipe que veio em minha direção e trouxe a energia espiritual necessária para podermos cruzar a chegada em 08h29min.

Quero agradecer meu companheiro Eneas que apesar de não ter corrido participou ativamente em todo o percurso. À Simone que encarou o desafio e terminou a prova com todo gás. À Helena pela paciência e cuidados durante a corrida. À Tamara pelo incentivo e João pelo acompanhamento técnico necessário. E finalmente à família STARK na qual compartilho a mais uma superação.

Fotos

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